domingo, 18 de dezembro de 2011

Sobre elas pensarem o que vamos pensar delas


Homens e mulheres têm convenções de comportamento. Sobre estes acordos invisíveis, o que elas de fato pensam, só comentam entre elas. E o que eles de fato pensam, só comentam entre eles. A libertinagem é um destes temas. A libertinagem fica na masmorra do passado. A libertinagem é segredo de estado. Por libertinagem, entende-se aquele dia em que tomamos um porre das próprias tentações e damos as costas pro moralismo.
À maioria das mulheres, a libertinagem cobra pelo prazer oferecido. Noites profanas e promíscuas com desconhecidos ou pouco conhecidos são um convite a traumas profundos e remorsos densos. Quando não são imediatos, se  transformam numa dívida pessoal que surge como uma britadeira no lobo frontal feminino quando conhece um homem com que se dispõe ter um relacionamento mais sério. Cada vez que o instinto se impõe dentro dela, surge o questionamento interno: “o que ele vai pensar de mim?”.
Por isto, nós homens, já sabemos que, em geral, o tempo que a mulher exige para mais intimidade é proporcional ao grau de interesse que ela tem em manter um relacionamento sério conosco. O pedido para que tenhamos calma com ela é uma maneira dizer: eu não sou qualquer uma; não sou destas que tu encontras na balada. No mesmo sentido, quanto mais nós homens respeitamos, vamos com “calma”, estamos querendo mostrar que nos importamos com ela, que não a vemos apenas como um pedaço de carne.
E assim, monta-se um teatro temporário, mas necessário. Mesmo sem qualquer influência na durabilidade ou densidade da relação, é um comportamento que já está intrínseco ao se conhecer alguém que merece mais de um encontro. Afinal, quando surge a pessoa interessante, queremos mostrar o que temos de melhor e deixar evidente que somos especiais e respeitáveis tanto quanto queremos alguém especial e de respeito. E é neste ponto da conversa que a moral e a hipocrisia precisam entrar em acordo.
Lógico que não é legal e nós homens nem queremos saber se aquela mulher que está se “preservando” pra nós desde que a conhecemos, em algum momento da vida já foi capaz de beijar doze quaisquer numa noite ou acordar bêbada numa cama entre dois homens depois de uma balada. Mas ao mesmo tempo, achamos injusto, muito injusto, que na condição de alguém “sério” e “legal”, que foi capaz de despertar o interesse mais profundo dela, tenhamos que “esperar” mais ou muito mais por algo que aquele comum com que ela só quis se divertir teve acesso rápido ou imediato. É complexo, mas é necessário. Não é falsidade. É necessidade.
Por isto, que eu tenho como falsa a regra  de pensar que na noite não se conhece ninguém que valha à pena. Isto é tão falso quanto pensar que existe lugar ideal para se conhecer alguém digno de um relacionamento. O contexto e o comportamento influem diretamente na percepção.
Por exemplo, é clássico ouvir delas “conheci um cara, legal, mas sabe como é...na noite, tô com os dois pés beeeem atrás”. Isto aconteceu porque, com algumas cervejas, vodkas, uísques ou tequilas na cabeça, ele perguntou na hora de ir embora se ela queria ir para o apartamento dele tomar a “saideira” ou ir para “outro lugar”. Se este mesmo cara fosse apresentado por amigos em comum, em que ambos precisam ter uma imagem a zelar diante dos que se prestaram a cupido, ela diria “conheci um cara legal, vamos ver o que acontece”, porque ele teria ido com muito mais prudência, se  dando por satisfeito com o número do celular, alguns beijos e trocadilhos de bom gosto.
No caso dos homens, praticamente igual: a observação “conheci uma daquelas gente fina... mas já viu né...pra tá naquela festa” advém das mesmas cervejas, vodkas, uísques ou tequilas que estavam no organismo dela quando ela topou um amasso mais forte ou até algo mais íntimo. Se fosse apresentada por amigos em comum, o comentário seria “tô saindo com uma guria gente fina... acho que é diferente ”.   
Mas então, qual é a lógica da noite? As pessoas saem pra se divertir. Se divertem. Mas há preconceito em relação à diversão? É aí que entra a máscara da libertinagem. A imagem da pessoa que se conhece na balada já sai no débito. É hipocrisia na veia. Quem tá na noite condena quem tá na noite. Quem está libertino condena quem está libertina. Quem já está libertina condena quem está libertino.
Todavia, que fique claro: não há receita. Quem é adulto com algum tempo solteirice sabe que não é o fato de ir pra cama no primeiro, segundo, terceiro ou quarto encontro que vai definir se o caso, rolo ou história vai ir adiante e também sabe que é tão ingênuo quanto ridículo imaginar que a pessoa com quem está se relacionando não tem em seu currículo experiências sexuais e sentimentais marcantes. Então, que se use o legado da libertinagem a favor. Isto, lógico, só depois do teatro temporário...ou não! 

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