domingo, 12 de fevereiro de 2012

Quem é bom de cama?


Pra quem está no mundo dos solteiros, duas perguntas: quantas pessoas você beijou em 2011? Com quantas foi pra cama?

Não há vergonha em não saber. Mas há vergonha em criar conceitos sobre isto. Sim, se vai muito pra cama. Sim, se beija demais. Demais, no caso, é força de expressão porque beijo sempre é bom. Dentro disto tudo, dizer que o mundo é promíscuo pode ser perigoso. E falar que é normal pode ser anormal. Só que, mesmo com tantas experiências para eles e para elas, algumas dúvidas parecem permanecer eternas nas conversas deles, delas, deles com elas e delas com eles, como se fossem buracos negros dentro da relação entre homens e mulheres. Um deles assuntos quase metafísicos é o conceito de “quem é bom de cama”.

O que é um homem bom de cama? O que é uma mulher boa de cama? Todo mundo quer ser bom de cama.

O assunto é complexo. Há quem aborde pela ótica da quantidade versus qualidade. Há quem prefira caracterizar a partir de limites corporais. Há quem meça o desempenho pela depravação. Há de tudo. Só não há resposta pra pergunta. E, de certa forma, confesso que me espanta em pleno 2012 a existência de gente que busque respostas conceituais para este tipo de pergunta, seja em conversa de bar ou em revistas, jornais, livros, sites, simpatias, astrologia, religião ou o que for. Num mundo de 7 bilhões de pessoas, acreditar que exista uma receita para se chegar a um padrão de comportamento sexual que garanta a satisfação de toda e qualquer pessoa com quem se divida a cama é tão ingênuo quanto ridículo.

Por exemplo, à mulher que gosta de algo mais intenso, o cara pacato será insosso. À que é mais delicada, será perfeito. Ao homem, a mesma coisa. Então, qual a razão das dúvidas? 

O que existe de fato, bem distante da resposta que não existe, é a química. Sim, óbvio. Só que o óbvio, às vezes, se esconde atrás do que é evidente e a gente não  percebe. Não é corpo. Não é beleza. É química. Só química. Sobre isto, acho engraçado o que diz uma amiga muito próxima, que brinca que noutra encarnação quer nascer homem. Jura que quer.  E me diz que não é nem pela questão de TPM, maquiagem, muita opção de esmalte ou cuidados estéticos superlativos. Nas palavras dela: “eu quero nascer homem só pra não ter esta coisa de ‘entrar no clima’...vocês homens estão sempre prontos. Eu acho isto uma aflição”.

Este “entrar no clima” feminino é, na minha opinião, um dos componentes mais importante da tal de química, senão o principal. E na ansiedade do instinto, dentro da apoteose hormonal deles e delas, a equação torna-se mais complexa. E por, nós homens, estarmos sempre prontos, invariavelmente é normal que as mulheres logo pensem “eu preciso fazer alguma coisa” ou “se eu fizer, vai ser só para agradar, mas que seja”. Daí se arrependerá por ter feito. E se  arrependerá por não ter feito.  Se sim, por não ter feito na plenitude, como gostaria.  Se não, por ter perdido uma possível oportunidade de fazer o que queria ter feito.

Acho que a confusão que se faz sobre quem é bom de cama não está nem ligada ao sexo em si, ao saber fazer ou o gostar de tal coisa, mas sim à autoconfiança. Me arrisco a dizer que, no caso das mulheres, a dúvida sobre o próprio desempenho sexual acontece principalmente no início de algum envolvimento emocional e após sair de um relacionamento afetivo. Sim, justamente mais se faz necessário estar segura de si dentro e fora das quatro paredes, a autoconfiança vai dar uma passeada. 

Sai do corpo, mas antes de debandar, pede para que algumas dúvidas fiquem tomando conta da situação. São perguntas como “faço ou não faço?”, “grito ou não grito”, “digo ou não digo”, “deixo ou não deixo”. Ou seja. Não é a mulher que está ali com o homem na cama. São as dúvidas dela. A nós homens, as dúvidas também aparecem, lógico, mas com muito menos frequência e profundidade.  A própria formação biológica e social, acredito, servem de avalistas para a nossa liberdade de  fazer o que  se quer sem ter vergonha, sempre partindo do princípio, claro, de que a nossa liberdade de querer termina onde começa a liberdade dela de não querer.   

Por isto que não condeno, mas me divirto com teorias sobre sexualidade, seja quando ouço, nas conversas de homens, aquele cara que diz que mulher gosta disto ou daquilo, que mulher quer assim ou assado. Homem que fala isto, entende de sexo, mas não entende de  mulher. O mesmo vale para as mulheres. Toda turma de mulher tem aquela que tem receita de como enlouquecer um homem na cama. Esta também pode até entender de sexo, mas não entende de homem. 

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