domingo, 25 de março de 2012

Sobre mulheres bem resolvidas


Homens agora fazem as unhas das mãos e dos pés e tratamento de pele, colocam silicone e depilam-se. Trocam fraldas, levam e buscam os filhos na escola, contam histórias antes de dormir. Gostam de cozinha e não querem engordar. Homens que falam muito palavrão não são bem vistos. Homens não já mandam. Homens educados pedem. Homens agora são homens com atitudes femininas.


Mulheres agora ocupam cargos de comando. Não pedem. Mandam. Mulheres agora entendem de cerveja, vinho, espumante. Falam palavrão, ficam com o controle remoto, assam churrasco, lutam boxe, vão a futebol, jogam futebol, fazem sexo casual. Mulheres são mulheres com hábitos de homens.

Nada demais. É só a continuidade da metamorfose.

 Nós somos a herança humana deixada pelos vencedores de cada etapa da corrida evolutiva. E a biologia mostra  que nunca foram os mais fortes ou os mais inteligentes que permaneceram vivos. Sobreviveram aqueles que melhor se adaptaram às bruscas mudanças climáticas, comportamentais, econômicas, sociais, físicas ao longo de quase quatro bilhões de anos da vida na terra. Então, de certa forma, todos estes novos comportamentos de homens e mulheres nada mais são que a adaptação ao ambiente nesta nova ordem social. Homens precisam de habilidades femininas. E mulheres precisam de habilidades masculinas. Esta aproximação de hábitos e pensamentos não é opção. Acontece por necessidade e é consequência da individualidade do nosso tempo.

Cada homem e mulher sempre é, em sua era, uma espécie de cobaia para a redefinição de condutas que servirão às gerações futuras. E como este reordenamento social tem sido muito brusco, há fortes dilemas deles e delas sobre o que cada um quer do outro, o que cada um deve ao outro, o que cada um espera do outro.  

Não há como ter respostas exatas. Mas não é errado pensar em algumas diretrizes principais. É quase consenso entre nós homens, por exemplo, que queremos, desejamos e esperamos que cada mulher busque e experimente o que desejar dentro do universo masculino.  Que prove e ocupe o que lhe é de direito neste mundo redesenhado, mas...não esqueça de ser mulher.  

Que todas as mulheres...sejam gestoras e executivas, mas se permitam fazer manha numa terça-feira de manhã chuvosa sem vontade de ir trabalhar. Bebam no bar, discutam, opinem, imponham-se, mas não esqueçam de perguntar o que a gente acha do vestido pretendido(mesmo que optem por outro). Sejam o que desejam ser entre quatro paredes e sejam o que desejam ser fora delas. Irritem-se quando estiverem de TPM, mas também chorem sem motivo. Deixem indiretamente evidente que estão testando nossos limites, mas lembrem de pedir colo. Sejam lacônicas em suas respostas, mas não deixem de concordar com aquele sorriso de lado com a cabeça inclinada. Joguem futebol, rúgbi, mas usem saia e vestido com cabelo solto. Se libertem da cozinha, mas se permitam comer chocolate.

É fácil compreender. Basta ver pela ótica feminina. Todas que gostam de homens, gostam de homens que sejam homens. Querem que ele seja sensível, compreensivo, romântico, até sentimental, mas que seja homem na essência, no jeito de olhar, agir...ser. Ainda não conheci nenhuma mulher que idealizasse o seu par como aquele que cuida cada caloria que consome, que fica estressado porque a manicure cancelou o horário, que chora como criança diante de um problema e pergunta o que fazer ou que ela tenha que brigar por um espaço em frente ao espelho.  Mulheres gostam de homens que entendam do universo feminino, mas que não esqueçam que são os homens da relação. 

Este texto é só um pedido. E também não deixa de ser uma resposta a um falso senso comum que se criou dentro do universo feminino. Nós homens não temos medo de mulheres bem resolvidas e com atitude. Nós gostamos e queremos mulheres bem resolvidas e com atitude. Mas desde que sejam atitudes femininas. Vejo como uma grande confusão o orgulho de algumas mulheres em dizerem que pra certas coisas são como os homens, que são mais homens que muitos homens. Que fique claro: este tipo de mulher não intimida os homens. Só cria desencanto, desinteresse. Não é machismo. É só defesa do nosso território existencial. Homem gosta de mulher que goste de coisas masculinas, mas que não deixe nem esqueça de ser mulher, bem mulher. 

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