quarta-feira, 30 de maio de 2012

Histórias que são e não são de amor


Há histórias que são só histórias. Há histórias que são de amor. História que é só história não tem padrão. História que é de amor também não. Tanto histórias quanto histórias de amor podem ser felizes. Ou não. Tanto histórias quanto histórias de amor podem ser à distância. Ou bem de perto. Podem ser dramaticamente felizes ou felizmente dramáticas. Simplesmente felizes ou felizmente simples. Tanto histórias quanto histórias de amor podem durar uma vida ou um punhado de horas. Rolo pode ser história ou história de amor.  Namoro pode ser história ou história de amor. Casamento quase sempre é história de amor. Quase, não sempre.

Não há quem não tenha vivido histórias. Mas há quem tenha vivido histórias que quase foram de amor. Há quem nunca tenha vivido história de amor. Há quem ache que nunca tenha vivido história de amor. Há quem tenha vivido mais de uma história de amor. Histórias e histórias de amor têm sorrisos. Há quem confunda empatia com amor, felicidade com amor, paz com amor, carência com amor, raiva com amor, paixão com amor, afeto com amor, carinho com amor, zelo com amor, parceria com amor. Há quem viva uma história, mas não sabe se ela é de amor.  

É porque uma história pode ser semelhante, mas nunca vai ser igual a uma história de amor.

É diferente porque amar é  um verbo particular. Cada um sabe onde termina o seu afeto profundo e começa o gostar que não tem fim. E sentimentos à parte, limites à parte, um há algo que quase sempre diferencia as histórias das histórias de amor: os símbolos.  Mesmo que por vezes presente em histórias que são ou não são de amor, é na intensidade e na variedade dos símbolos que se tem a nitidez do teor de uma história que é ou não é de amor.  

Por símbolos entende-se aquela música, aquele lugar, aquele gesto, aquele trejeito, aquela expressão, aquele livro, aquele silêncio, aquele número, aquele objeto, aquela estrela, aquela palavra, aquela paisagem, aquela gíria, aquela comida. Tudo vale.  Quem diz isto é a vida. É a história humana povoada de histórias e histórias de amor. As fábulas ensinam, os romances narram, o cinema mostra, a poesia idealiza o que a vida realiza. A arte interpreta o amor através dos símbolos que o mundo sonha ver. É da vida. É a vida.

E isto só é assim porque todo símbolo é a representação concreta de algo abstrato. Uma das funções primárias de um símbolo é gerar unidade em torno de algo ou alguém. Ocidentalmente falando, da cruz do cristianismo à maçã de Steve Jobs, nossa vida sempre é regida por símbolos. E numa relação a dois, não é e não seria diferente. Cada símbolo é um código particular, que só os dois entendem. E isto basta. É nesta singularidade que o outro se torna especial.  A força dos símbolos é um termômetro fiel de um envolvimento emocional.

Uma música remete a um lugar.  Um gesto a um desejo. Uma expressão a um alerta. Um número a um momento. Um objeto a um ponto de encontro das linhas do espaço e do tempo. Tanto faz.  É por isto que numa história que é de amor, cada símbolo é uma identidade. É um abraço sem abraço, um beijo sem beijo. É um ponto de encontro em que o outro está ali sem estar ali.

Há histórias felizes ou tristes com símbolos. Há histórias felizes ou tristes sem símbolos.  Mas não há história de amor, feliz ou triste, sem símbolos. 

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