domingo, 20 de maio de 2012

Trevos


Trevos de vida são aquelas situações em que há opções, mas raramente há possibilidade de retorno. É quando o mundo cria um dilema, o tempo dá as costas, a urgência vira avalista e o agora é pra sempre. 


Nos trevos de vida, escolher é decidir.   

E são os níveis individuais de coerência, desapego e coragem que vão nos balizar diante de cada uma destas alternativas e suas respectivas consequências, desde a alegria e realização até o remorso ou a frustração. Escolher o caminho num trevo de vida é assumir o peso da responsabilidade. E tentar evitar estes trevos é uma condição normal do ser humano. Afinal, executar uma decisão é mais complicado que decidir. 

E diante destes trevos, em geral, há três tipos de reação humana. 

Há os que ficam sem saber o que fazer. Param. Pedem referências. Consultam mapas. Mas diante da ausência de uma certeza absoluta, não assumem o risco de ir adiante. Querem uma garantia plena, que o futuro nunca oferece. Então ficam ali por dias, semanas, meses, anos, muitas vezes a espera de um mapa, uma referência, uma carona, uma indicação, que pode chegar ou não.Há quem fique toda uma vida diante de um único trevo.

Há também os que escolhem sempre errado. Trocam a infelicidade pela desgraça. A desgraça pelo caos. E assim por diante. É o tipo de pessoa que descobre ao longo da estrada que nada é tão ruim que não possa ser pior. Ficam sempre a espera do próximo trevo e então arriscam-se cegamente a espera de um trevo futuro. Não há discernimento entre coragem e inconsequência.  

E há também os que normalmente fazem as escolhas certas. Se não fazem sempre a opção certa, tem uma margem de acerto bem acima da média. Normalmente, passam pelos trevos incólumes. Por vezes nem os percebem. Ou quando percebem, já sabem que caminho tomar. E quando erram, não se preocupam. Sabem que haverá outro trevo à frente, em que podem optar por outra estrada.  

E qual o segredo destas pessoas? Acho que é bem simples. Elas seguem o caminho correto por fatores como: a percepção dos sinais anteriores ao trevo, preparando-se ou antecipando-se às escolhas que serão inevitáveis; a adoção de um atalho ou caminho alternativo para evitar um trevo mais complexo; e também, lógico, há a sorte.

Mas como regra geral, acho que estas pessoas normalmente acertam o caminho por uma razão principal: sabem onde querem chegar. Afinal, conhecer o destino é premissa para escolher o caminho. Sobre isto, tenho uma amiga, muito bem resolvida por sinal, que adotou uma frase que ouviu de um colega de trabalho. Achei excelente, de  tão lógica. : “quem não sabe o que quer, quando encontra o que procura, não reconhece”.

Há ainda outra característica  destes que sempre fazem  certa é de que não abrem mão do direito de decidir. Até compartilham decisões. Aliás, geralmente compartilham decisões. Mas nunca, em nenhuma hipótese, deixam que decidam por eles. Se eu deixo que escolham o meu caminho, não tem direito de reclamar se não é a estrada que quero seguir. 

Não se trata de tornar a vida lógica. Sentir é tão humano quanto pensar. E sonhar é tão humano quanto planejar. 

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