segunda-feira, 15 de abril de 2013

Gente "do bem" e "do mal"


Um dos maiores patrimônios emocionais que adquiri ao longo da vida foi o jornalismo que me deu. Conversar com gente de muitas classes, idades, cores, origens, valores, religiões e com inúmeras concepções de vida me fez ver que toda relação interpessoal parte do conceito de crédito. Seja qual for o tipo de relação, não há outra maneira de iniciá-la, senão partindo do crédito.

Pode ser com exigência de garantias, contrapartida ou a fundo perdido. Mas quando iniciamos o contato, definimos involuntariamente se a pessoa merece ou não nosso crédito. Por mínimo que seja. E crédito, neste caso, é contabilizado em confiança. Sim, a confiança. Não há nada mais sagrado para se ter de alguém do que a confiança.  Não há nada maior para oferecer a alguém do que a confiança. Pode até ser uma confiança desconfiada, mas oferecer  confiança é dar um pouco de si.

Falando de gente, sempre fui do tipo que fornece crédito fácil. É uma espécie de crédito mínimo para iniciar a relação. A não ser que eu tenha, de fonte segura, informação que desabone a pessoa, parto do princípio que a confiança é uma moeda que não tem cotação paralela. Portanto, para se conseguir confiança, só oferecendo-se confiança. E me permito considerar, sem pedância, que a estratégia é até bem eficiente. Se perco, perco pouco. Se recebo, ofereço mais e a relação vai adiante. Tem dado certo, considerando as pessoas que orbitam meu mundo usam a mesma estratégia que eu e tenho confiança acumulada em sociedade com bastante gente.   

Há aqueles que pensam que sou ingênuo. Mas não me considero. Talvez até pareça porque tento fazer o mundo ficar mais simples do que ele é. Não é por falta de persistência, mas prefiro o verbo fluir ao insistir. Nem sempre fui assim. Mas passei a sê-lo quando percebi que as pessoas que preferem o verbo fluir ao insistir normalmente não são as mais vitoriosas, mas são as mais felizes.

Aprendi isto na convivência com a primeira infância da minha sobrinha. Como o único objetivo dela na época era ser feliz e estar em paz, ela classificava as pessoas com quem se relacionava em apenas dois tipos: "do bem" e "do mal". Adultos, crianças, gatos, cachorros, brinquedos e brincadeiras eram "do bem" ou  "do mal". Ridículo de tão simples. Genial de tão eficiente.  

Ao trazer os conceitos dela para o meu mundo adulto, percebi que esta era e ainda é a melhor maneira de escolher as pessoas a que eu quero que façam parte do meu mundo. Ter gente “do bem” em torno de si facilita a vida e dá outro sentido ao mundo. Gente “do bem” é tudo de bom. Tanto, que normalmente tem crédito até com quem é “do mal”.        

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