segunda-feira, 1 de abril de 2013

Vida cartesiana


Não que o mundo se resuma ao plano cartesiano que a gente aprendeu nas aulas de matemática lá no ensino fundamental, mas desde um dia que eu não sei bem quando, passei a pensar que fica mais fácil entender e aceitar a vida quando a gente pensa que ela se resume a tudo que acontece dentro de um quadrante formado por dois eixos: tempo e espaço. 

Cada nascimento, dois novos eixos e uma nova linha da vida desenhada pela junção de pontos do tempo e o espaço. No mundo, sete bilhões de linhas em que pontos se cruzam, parábolas se formam e trajetórias ascendentes, descendentes e oscilatórias se caracterizam.

Cada ser vivo é uma fórmula. Nenhuma linha é igual.  

Uma esquina dobrada ou não, uma festa ida ou não, um favor concedido ou não, uma maldade praticada ou não, uma proposta de trabalho aceita ou não, um telefonema efetuado ou não, um apartamento comprado ou não, um sorriso doado ou não, um sonho realizado ou não. Tudo interfere na trajetória de cada linha, de cada vida.

De certa forma, talvez seja por isto que todas as religiões têm seus dogmas baseados em algum Deus a reger os movimentos de cada ser vivo. Em outras palavras, toda religião ou filosofia de vida de qualquer origem crê na ideia de que “nada acontece na nossa vida por acaso”. E nisto, eu acredito piamente.

Cada milagre é uma casualidade. Cada fato é conseqüência da movimentação de linhas de vida. Para o bem e para o mal. Na hora certa no lugar certo. A hora errada no lugar certo. A hora errada no lugar errado.  O lugar errado na hora certa.  E é até engraçado como não percebemos diante da correria do dia a dia que cada um de nós tem um poder de tornar ascendentes ou descendentes as linhas de vida que cruzam à nossa, assim como também temos o poder de permitir ou não que interfiram na nossa.

Não que seja uma receita, mas algumas das pessoas mais bem resolvidas que conheço e nas quais me espelho pra desenhar a minha linha de vida parecem entender que o destino é uma espécie de soma daquilo que a gente faz da vida e do que a vida faz com a gente. Sem dramas, conjecturas. Há o que impomos. Há o que nos impõem. E dentre todas as frustrações que uma existência neste mundo pode oferecer, acho que não há nada mais doloroso do que perceber que não se pode reger, interferir, controlar o rumo da própria linha da vida.  

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