domingo, 12 de maio de 2013

Homens que se apaixonam



Todo homem apaixonado se sente ridículo. Se sente porque é. Se sente porque não há escolha. Perante os amigos, a si mesmo e até algumas mulheres, a demonstração de afeto por parte de um homem sempre terá uma dose de comicidade. 

E como se não bastasse sentir-se ridículo, o medo de assumir a condição de apaixonado torna tudo mais ridículo e complicado. Sobram só as atitudes estúpidas e insensatas que tentam dissimular o sentimento em nome de alguém.  Enfim, a um homem, demonstrar sentimentos é assumir-se por ridículo. Não demonstrar é tornar-se um palhaço.

Homens que mostram seus sentimentos sentem-se ridículos porque expor a afetividade vai contra todos os dogmas de masculinidade. É uma espécie de descaracterização do cromossomo Y. 

Desde que reconhecemos a própria existência nós homens somos adestrados para negar a figura feminina, que tem seu expoente máximo na imagem da mãe. Nem bem saímos da primeira infància e já vislumbramos a independência como a pedra filosofal que nos fará sermos vistos e aceitos como machos. E a mãe, nossa primeira referência do universo feminino, passa a tornar-se um incômodo. Não é por nada que diante de qualquer dificuldade, a primeira piada entre os homens, ao longo de qualquer fase da vida é “vai chamar a mamãe?”. 

E talvez seja este momento de transição, em que a mãe passa de referência à negação, o responsável pela relação de cada homem com seus próprios sentimentos ao longo da vida. É ali que somos forçados a escolher entre admitir a afetividade...ou não. 

Os homens que a renegam terão várias oportunidades de reavaliar seu posicionamento durante a vida. Mas sempre chegará um ponto em que, de forma direta ou indireta, cederão a esta condição, seja por meio da paternidade, um amor inabalável ou o medo de ficar sozinho. Nem que seja uma única vez na vida, todo homem irá sentir-se ridículo por não dominar seus sentimentos.

É por isto que eu respeito os homens que admitem seus sentimentos. São homens que abrem mão da pedra filosofal da independência almejada no inicio da vida porque já se desvincularam da necessidade de autoafirmação. 

Este tipo de homem é aquele que sabe que estar apaixonado é ridículo. E que é preciso ser muito homem pra não estar nem aí pra isto.


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