terça-feira, 2 de julho de 2013

Curte ou compartilha?

Eu queria viajar. Eram cinco roteiros possíveis sonhados e autorizados pelo bolso. Informações à mão, fui consultar amigos que conhecem mais do mundo do que eu. E logo no primeiro diálogo, já estava convencido do meu futuro destino. Em questão de quinze minutos meu amigo eliminou quatro das minhas opções. Pra onde eu fui não importa. Quero falar do argumento dele.

Foi  mais ou menos com estas palavras que ele me convenceu:

- Acho que a estes quatro lugares aqui a gente não deve ir sozinho. São bonitos demais. E todos tem muito significado. E por serem assim tão espetaculares, a gente precisa de alguém pra compartilhar uma viagem destas. Sabe aquela coisa de estar lá, mirar a paisagem e precisar de alguém pra confirmar a realidade? Pois é.   

Foi este punhado de frases que definiu o rumo da minha viagem. E a lição valeu mais que o passeio. Percebi que o que cabe aos lugares tem ainda mais valor em relação a momentos da vida, que não deveriam ser vividos apenas na própria companhia. São instantes que tem o poder de contagiar outras pessoas.  

E é neste ponto que está a diferença entre duas palavras que se tornaram tão comuns, desde que foi criado o Feicebuque: curtir e compartilhar.

O que é bom e empolga, a gente curte. O que é excelente e emociona, a gente compartilha. O que a gente curte, de vez em quando se relembra. O que a gente compartilha, ganha uma mansão dentro da memória.

Quando algo magnífico ou terrível acontece, pra quem vem a vontade de ligar, contar, falar, conversar, COMPARTILHAR? É esta pessoa que é especial. Possivelmente, uma mesma com quem se gostaria de dividir aquele lugar que não se deve ir sozinho.

É da natureza humana esta necessidade de compartilhar. Toda emoção intensa se torna maior que nós. Toda felicidade absurda ou tristeza nefasta transcende a alma. Mesmo que se tente amordaçá-la, o silêncio torna tudo explícito.

Quando o sentimento é pleno até o silêncio fala.

É por isto também que as pessoas estão cada vez mais carentes. No mundo individualista e competitivo, todo mundo compartilha somente as glórias. E não o faz com os dramas e frustrações, que vão sendo armazenados ou camuflados até que transbordam na forma de uma atitude impensada.

Dia destes, uma amiga sempre brincalhona e aparentemente bem resolvida consigo mesma, entregou os pontos. Escreveu dizendo que precisava de um marido.  Na imensidão do apartamento de um dormitório, só queria alguém que perguntasse como foi o dia dela ou que telefonasse para pedir alguma coisa do mercado.

Isto só acontece quando a carência se transforma em solidão. E pra resolver a carência, a gente procura alguém pra curtir. Já pra amenizar a solidão, daí não tem jeito. Só compartilhando. 

3 comentários:

  1. Eu só quero esclarecer uma dúvida antes de compartilhar teu texto.
    ...aparentemente bem resolvida consigo mesma, entregou os pontos.
    Querer ou precisar de alguém,whatever, significa não ser bem resolvida na sua visão?

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  2. Não! O problema é fingir que não precisa ou que não quer. O conceito de pessoa bem resolvida praticamente se resume à coerência entre o que se sente e o que se pratica! Obrigado pela leitura, Melissa!!! Bjbj

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