terça-feira, 13 de agosto de 2013

Agiota emocional

Se dívida é o que se deve e gratidão é o desejo de retribuir, toda dívida de gratidão, de certa forma, já nasce numa crise existencial.

O saldo é sempre variável, pois fora gerado a partir de um valor indefinido, subjetivo e não mensurável. Só quem recebeu a graça pode dimensionar a importância. E quem concedeu o favor, se o fez por bondade, não esperará nada em troca. Terá agido apenas pelo desejo da felicidade alheia, pela vontade de facilitar a vida de alguém.

E assim, o sentimento de empatia faz com que surja uma vontade indômita por parte da pessoa agraciada em oferecer algum tipo de recompensa a quem tornou o seu mundo um pouco ou muito melhor. É o caminho natural de uma dívida de gratidão.

Porém, há um tipo de personagem que vem desequilibrando o mercado da gentileza e da misericórdia. É o agiota emocional.  

Agiota emocional se define por toda pessoa capaz de cobrar uma dívida de gratidão. Ao agiota emocional, a gratidão é uma moeda, cuja cotação ele controla. Cada pessoa em dificuldade é uma oportunidade de investimento. Algumas em curto prazo com pouco ganho. Outras, de longo prazo com recebimento parcelado.  Da amizade à oportunidade de trabalho, o agiota emocional oferece indulgência em forma de interesse. 

Na prática, todo agiota emocional, também é um estelionatário. Afinal, diz que é favor e depois afirma esperar algo em troca. São frases típicas de  um agiota emocional: “se não fosse eu, você não era nada”, “é um mau agradecido”, “eu te ajudei”,  “olha tudo que fiz por você”, “fica na sua consciência”, “quando ninguém estendeu a mão, eu estava lá”, “espero que não esqueça do que eu estou fazendo por você”.

É o método do agiota emocional: a maximização do “eu”, a minimização do “você” e a suposta idolatria devida por quem recebeu o ato de bondade. Ou seja, o agiota emocional crê ser um Deus, que ofereceu a sua benignidade e agora merece a devoção alheia. 

Até quando? Só Deus sabe. 

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