quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Pra ficar ou namorar?

Principalmente nas cidades de pequeno e médio porte, onde todo mundo se conhece ou é conhecido por alguém que não conhece, a liberdade é relativa e o livre-arbítrio tem conseqüências maiores do que nos grandes centros.

E num ambiente assim, desfrutar a juventude como se não houvesse amanhã pode gerar surpresas quando o amanhã chega, para eles e para elas.

Eu percebi isto há cerca de quatro anos. Estava num churrasco entre amigos. Éramos cerca de dez homens a falar sobre tudo, até que entrou em pauta a situação de um integrante da turma que estava ausente. Eis a questão: ele estava apaixonado, mas hesitava em assumir um relacionamento porque a mulher em questão já havia ficado com outros dois integrantes da turma. Lembro que as opiniões foram diversas e não houve consenso sobre moralismo excessivo ou falta de autoconfiança.

Na semana passada, uma situação semelhante. Uma amiga contou que, neste ano, por duas vezes, conheceu caras interessantes e os mesmos se afastaram por ela ter omitido que já havia ficado com outros homens do círculo de amizade deles. Quando os mesmos descobriram, se afastaram. Então ela, que mora numa cidade de cerca de 200 mil habitantes, me perguntou se o correto seria logo expor o passado, a fim de evitar a situação. Comentei com ela que isto não faria diferença, pois não é o fato de contar ou omitir, mas o passado.  

Quem tem entre 25 e 40 anos, inevitavelmente é cobaia para todas as rápidas transformações e concepções de comportamento que a sociedade tem imposto deste o final da década de 1980. Nesta condição, ficamos sem referência para saber o que é certo ou errado e passamos a maximizar nossas dúvidas. Esta falta de parâmetros, normalmente nutre uma generalização negativa. Sobre relacionamentos, por exemplo, quem está numa história de longo tempo é comodista. Quem desfruta os benefícios da solteirice é inconsequente ou promíscuo.

Então, o que é o correto?

Acho que buscar uma resposta exata para esta pergunta é um dos primeiros passos para tornar-se uma pessoa mal resolvida. Exigir de si uma definição para este dilema é tentar responder ao mesmo tempo o que quer ser, o que gostaria de ser e ser o que os outros gostariam que fôssemos.

Nós, entre os 25 e 40 anos, ainda temos impregnada na nossa moral a necessidade de “pureza” da pessoa com quem nos relacionamos. É uma herança de nossos pais e avós. Simultaneamente, convivemos hoje com tempos de sexo fácil, desapego, relações superficiais e carência afetiva. Esta dissonância resulta em incoerência. Todo mundo quer pegar todo mundo e na hora de namorar, quer-se alguém sem passado. Não adianta. A equação não fecha.

Isto também acontece porque, somada ao legado moral de nossos ancestrais está a necessidade de nos sentirmos únicos. Por narcisismo, o sentimento de singularidade se faz prioritário. Assim, cremos que somos especiais. Na era da economia de mercado, em que se busca o tênis, o carro, a casa, a camiseta, o relógio, a blusa, o sapato ou a bolsa que ninguém tem, a aura de exclusividade estende-se às pessoas também. 

Não sei se é o correto, mas eu sou dos que gosto de saber do passado de quem se divide a vida. Acho importante entender o que noutros tempos foi felicidade, tristeza, erro e acerto. Afinal, a soma de tudo isto é que a torna uma pessoa especial a ponto de que se queira trazê-la para dentro do próprio mundo.       

Um comentário:

  1. Também sou a pessoa que quer saber o passado da outra, por que se ela tiver algum problema, eu possa ajuda-la.

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