terça-feira, 17 de setembro de 2013

Empatia ou carência?

Normalmente uma história a dois inicia à sombra de empatia e carência. Somadas, fundidas ou mescladas, inevitavelmente, uma destas circunstâncias sempre predomina no contexto afetivo que determina o início de uma relação. É a partir desta composição que todo o resto se desencadeia, ganhando status de amor, paixão, rolo, entre outras nomenclaturas. 

Lógico que entre a empatia e a carência, a primeira é sonho de consumo. A segunda, força da ocasião.    

A empatia é sonho de consumo porque remete à naturalidade, aceitação. Reconhecer no outro parte de nós não deixa de ser uma resposta às necessidades do próprio ego. É tão constrangedor quanto fático admitir que se admiro alguém com quem me identifico, não deixo de estar me admirando. E assim, em partes, a história a dois se torna confortável, prática e satisfatória porque cada um sacia a si mesmo através da figura do outro. Isto surge de forma tão natural, que nem percebemos estas artimanhas das nossas próprias emoções.

E assim, a empatia torna-se uma espécie de dínamo que movimenta uma série de outros elementos componentes de qualquer tipo de relação. Gosta-se da outra parte, ama-se a outra parte. Mas gosta-se e ama-se pelo que esta pessoa é ou pelo que ela nos proporciona? Afinidade, identificação, em partes, são nomes bonitos para o narcisismo que cada parte do casal consegue ver espelhado no outro.

Já a carência nos remete à difícil condição de aceitar que não nos bastamos. Por maior que seja a autoestima, haverá alguma circunstância que fará com que percebamos a nossa própria fragilidade. Para os momentos em que isto acontece, ainda não inventaram remédios melhores do que um ombro ou o sorriso de alguém.   

É por isto que quando um envolvimento emocional mais intenso acontece, é normal  que se faça a pergunta "carência ou paixão?". Acredito que sempre será um pouco das duas coisas, mas certa vez ouvi um método simples e curioso para determinar o que predomina numa saudade que se apresenta.  


Basta reparar o próprio comportamento. Saudade que aparece somente no domingo à noite, em meio à solidão, é carência. Saudade que surge na sexta-feira à noite, quando um universo de possibilidades se apresenta, é empatia.  

E saudade que aparece todo dia, daí já não é mais saudade. É a presença da ausência.  

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