quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Homens que não surpreendem

A admiração é uma necessidade feminina. O cortejo, um apêndice cultivado desde a infância. É por isto que nada veste melhor uma mulher do que um elogio. Mesmo que falso.

Quer melhorar o dia de alguma delas? Elogie a beleza. Se possível, com palavras normalmente não ditas. Quer fazê-la sentir-se única? Diga que ela está “diferente”, que “não sabe bem o que é”. Mas que tem “algo diferente” com ela. Mulher precisa ter algo pra pensar, repensar e voltar a pensar. Vai criar equações algébricas s sobre o “algo diferente”.  Vai pensar que possui algo que não sabe. Vai se sentir enigmaticamente poderosa.  Toda mulher gosta de ser desvendada, decifrada. Afinal, ela é um código pra ela mesma.

Em algum ponto das suas equações, sem encontrar o valor de x, ela vai perceber que o “algo diferente” significa, antes de qualquer coisa, que foi observada detalhadamente. E mulher adora detalhes, tanto ou mais do que homens.  E vai deduzir que a insinuação do “algo diferente” foi uma cantada. Então passa a considerar o cortejador. Depois descarta. Reconsidera. Volta a pensar que “nadavê”. E conclui que foi cantada. Então reage baseada em três eixos. Naaaaaaadavê, de repente ou certo que sim.  

Assim, no terreno fértil da dúvida, as duas últimas possibilidades fazem com que nasça mais uma semente da árvore de possibilidades femininas. E não há alimento maior a esta planta do que o verbo surpreender. A alma feminina se deslumbra com o inesperado. Afinal, tudo que não tem explicação é passível de magia. Como já escrevi aqui, surpreender é ter controle sobre a emoção, o tempo e a vida alheia, por uma fração de tempo. É como brincar de ser Deus.

E embora algumas mulheres discordem, praticamente todo homem sabe surpreender. Alguns não sabem que sabem. Então agradam, cuidam, zelam. Até porque nós homens não fomos educados para exibir nossas emoções. Precisamos ser durões, machões e sem demonstração de afeto. Mas quando a necessidade aperta ou a vontade bate, todo homem aprende a conjugar o verbo surpreender.

Não fazemos isto sempre. Normalmente, só quando gostamos acima da média, adoramos ou amamos. Daí a gente faz. Dá um jeito e faz. Faz pra e por ela. Se sente ridículo, mas faz. Faz só pelo sorriso incrédulo, o deslumbre, as mãos no rosto ou o olhar de ladinho. Quando realmente quer surpreender, o homem arquiteta, escapa da biologia e repara até nos nanodetalhes. Perde a vergonha e fala com as amigas, com a família. As palavras podem até ser pra impressionar. Mas os atos são pra surpreender.

Surpreender é a maneira que nós homens usamos para dizer a uma mulher que ela realmente “tem algo diferente”, algo que a gente “não sabe bem o que é” e que a torna, aos nossos olhos, diferente de todas as outras. Não é uma cantada. É porque ela é, de fato, uma mulher única.

Por isto, quando vejo mulheres colocando indiretas, disparando que os homens só querem sexo, não querem nada sério, fico pensando que dar “dicas”, dizer o que querem ouvir é o mesmo que mentir pra si mesma e acreditar, sem falar na chance de algum mal intencionado se aproveitar da situação. É como pedir pra ganhar flores. Não vale.

Nós homens não somos todos iguais. As mulheres, idem. Então, mulheres, acreditem. Não precisamos de dicas, recados ou indiretas, assim como vocês também não necessitam em relação ao gênero masculino. Talvez não seja o que algumas mulheres queiram ler, mas acho que se um homem não surpreende ou demonstra seus sentimentos, é por um motivo: ele não quer. E por qual razão? Não sei. Mas parece que se tornou mais cômodo pensar que ele é um cachorro aproveitador do que considerar a possibilidade de que ele não goste, admire ou ame tanto assim. 

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