quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Entendimento e compreensão

Há certas coisas que sabemos, mas eventualmente precisamos relembrar. Uma delas é que o entendimento é a antessala da compreensão. Entender nem sempre é fácil e compreender nem sempre é possível. Até existe entendimento sem compreensão. Mas não há compreensão sem entendimento. Compreensão exige concordância e eventual complacência e/ou capacidade de empatia.  

No campo da afetividade, geralmente nós homens entendemos, porém muitas vezes não compreendemos a profundidade das emoções femininas. Já no mundo dos fatos, normalmente as mulheres entendem, mas não compreendem algumas atitudes masculinas simples e pragmáticas. E esta dissonância é um dos ingredientes que mais incomoda e apaixona o gênero oposto.

Todo homem se sente mais homem quando entra numa loja e em menos de cinco minutos decide as três camisas que vai comprar. Todo homem se sente menos homem quando vai a uma loja, escolhe quatro sapatos para experimentar e não se agrada de nenhum. O mundo nos é prático. O mundo nos é lógico.

Acredito que esta simplicidade masculina na avaliação de critérios tem uma de suas raízes na necessidade de não demonstrar insegurança. Na tentativa de nos sobrepor na atmosfera competitiva na qual somos inseridos desde a infância, quando precisamos ser mais inteligentes, fortes, atléticos e bonitos que os demais, somos obrigados a tomar decisões de forma apressada. Muitas, lógico, são equivocadas. E assim, vamos selecionando as atitudes, avaliando suas causas e efeitos. Quando chega à idade adulta, todo homem acredita ter uma “planilha” imaginária que aponta o norte para cada nova decisão. A cada nova experiência, a planilha é reavaliada e assim por diante.
E assim, o que para nós é óbvio, a elas é complexo ou “não é bem assim”.

Acho também que o “não é bem assim” e o “não sei” femininos são frutos da falta de liberdade e da cobrança social em torno da mulher, principalmente na esfera comportamental. Assim, toda mulher, aprende ainda na infância a pensar e repensar suas atitudes para não ser rotulada. Durante a infância, o comportamento mais “moleque” e as amigas se afastavam. Na adolescência, uma roupa inapropriada ou uma escorregada no instinto e o rótulo de “vagabunda” perante o colégio já estava determinado. E assim por diante. Pode até haver a questão hormonal, mas com certeza a mulher avalia, analisa, prospecta e volta a pensar suas atitudes para proteger-se emocionalmente. Foi induzida e condicionada a pensar assim. E de certa forma, toda mulher tem orgulho disto. Sente-se mais fêmea dentro da sua complexidade.     
  
É por isto que quando uma relação a dois inicia, ela vê o envolvimento pelo prisma emocional, subjetivo. Ele, pela ótica da objetividade, da racionalidade. E logo de começo, o equilíbrio desta equação é que vai determinar a continuidade ou a brevidade de um namoro. Normalmente, o pragmatismo dele que tentará desvendar os enigmas dela.  Quando a decodificação demora demais, a brincadeira perde a graça. Pra ambos. Ele cansa de tentar. Ela cansa de esperar.

Quando isto acontece, geralmente as duas partes entendem, mas não compreendem. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário