sexta-feira, 14 de março de 2014

História de amor

Não sei se a história que ele e ela criaram vai ser eterna. Mas já é de amor.

É de amor porque nenhum dos dois sabe explicar ao certo porque se apaixonou. Só sabem que quiseram ficar. E ficaram. Quiseram ficar juntos. E ficaram. Ela não pensou sobre o que ele pensaria se ela mandasse um torpedo. Ele não pensou sobre o que ela pensaria se ele ligasse num dia e no outro também.  

É de amor porque sabem que as grandes coisas são as pequenas coisas, que valor é diferente de preço e uma declaração de amor na porta da geladeira num dia qualquer tem um poder inexplicável.

É de amor porque beberam do instinto na primeira noite que se viram. E ele não pensou que ela fosse facinha. E ela não o rotulou de cafajeste. Quiseram acordar juntos. E acordaram. Talvez, inconscientemente eles soubessem que o amor pode ser profano e que ternura combina com malícia.

É de amor porque tiveram vontades simultâneas de fazer o que queriam fazer. E fizeram. De todos os orgulhos que cultivam, um dos maiores foi a naturalidade com que deram as mãos pela primeira vez num sábado de manhã, sem hesitação ou dilema.

É de amor porque desde que se viram, se preocuparam mais com o pertencimento do que a posse. Assim, a principal preocupação de cada um foi deixar o outro com o espírito em paz.

É de amor porque os dois são apaixonados pela história que criaram. Descobriram que palavras, músicas, erros, gafes, piadas, tolerâncias, euforias, fatos e datas formam o patrimônio emocional de cada casal. E relembrar é viver de novo.    

É de amor porque aprenderam a linguagem dos olhos. E praticam.

É de amor porque possuem mais rituais do que rotinas e sentem mais saudade do que falta. 

É de amor porque da intimidade deles nasceu a espontaneidade. Ela tem liberdade pra pedir colo. Ele tem desprendimento pra oferecer colo. Xingamentos carinhosos viraram esporte e diversão. Compartilham problemas e compactuam soluções. Dividem as aflições e duplicam as alegrias.

É de amor porque há consciência de que só de amor ninguém vive.

É de amor porque sabem que a principal receita para histórias de amor é que não existe receita para histórias de amor.


É de amor porque ele acredita que seja de amor. E eu sei que ele acredita porque ele sou eu. E esta é uma singela homenagem para a mulher que eu conheci no dia 15 de março de 2013 e que desde então tive vontade de ver todos os dias.       

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