quinta-feira, 3 de abril de 2014

Pessoas que são ponte

Pessoas que são ponte são uma obra do acaso. Aparecem nestas curvas que a vida faz. Pessoas que são ponte são aquelas que fazem a ligação de uma etapa da nossa vida à outra. 

Tanto faz o terreno. Amor, trabalho, família, saúde. As pessoas que são ponte sempre aparecem em momentos emblemáticos. E de forma inesperada.   

Pessoas que são ponte surgem para enfrentar, absorver, resolver ou transformar a nossa realidade e gerar uma nova realidade, almejada ou não, desejada ou não, feliz ou não, triste ou não. E depois desaparecem. As pessoas que são ponte sempre desaparecem. Às vezes sutil e vagarosamente. Às vezes tão rápida e abruptamente como surgiram. Depende do tipo travessia.

Fato é que pessoas que são ponte não nos acompanham pela vida. Ficam pelo caminho e se preservam na memória. Pessoas que são ponte sempre são só uma etapa. 

Normalmente pessoas que são ponte são dignas de nossa gratidão. Normalmente. Nem sempre.

Há pessoas sabem que são ponte. E fazem a conexão por bondade ou interesse.  Diante da bondade, geralmente nós criamos uma dívida de gratidão, que prescreve ou cai no esquecimento. Diante do interesse, quem cria a dívida é a pessoa que é ponte. Neste caso, rara é a dívida não paga. Às vezes com juros. Há até pessoas que são ponte que aceitam o pagamento parcelado em pequenos favores.

Há pessoas não sabem que são ponte. Fazem a travessia como se fizessem outra coisa. E só depois de concluída a passagem é que algumas delas se dão conta de que foram ponte. E daí, o roteiro se repete: bondade ou interesse.

Talvez uma das coisas mais legais da existência humana seja esta capacidade de ser ponte. Parece que a vida ganha mais sentido quando se faz diferença na vida de alguém. Todo mundo já foi, é ou será ponte a outro alguém. Todo mundo já teve, tem ou terá outra pessoa como ponte em algum momento da vida.


Na densa poesia do cotidiano, imaginar as pessoas como pontes talvez seja uma das maneiras mais fáceis de compreender que neste mundo ninguém se basta. 

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