terça-feira, 20 de maio de 2014

A boa conversa

Antes do primeiro papo, tudo é instinto, com o desejo explícito ou implícito. A vontade e a lógica brigando de foice para definir a melhor estratégia. Quanto de ataque? Quanto de defesa? Vou ou não vou? Às vezes, a conclusão é rápida. Noutras se arrasta.

É aí que entra a conversa.  E é sempre a partir da primeira conversa que as partes começam a calcular as probabilidades de formarem um futuro casal. Ou não.

Pouca gente discorda que a boa conversa está entre o que de melhor alguém pode vestir. Um bom papo transforma o impossível em talvez. Passa-se da feiúra à aceitação, da beleza à divindade, da negação à possibilidade, da indiferença ao interesse.  

A boa conversa é o prenúncio da boa companhia. Por boa companhia entende-se aquela pessoa com o poder de fazer a noção de tempo desaparecer através das palavras e gestos que profere, valendo-se de variações no tom de voz, conteúdo e narrativa.  

O contrário também acontece.

Quem nunca esteve deslumbrado, com os olhos fixados naquela boca a ser beijada, quando palavras surgiram como bombas de nêutrons a exterminar a admiração que pairava no ambiente? Quem já frequentou o mundo dos solteiros inevitavelmente fez da conversa o motivo para conceder uma segunda chance ou abreviar ainda a primeira.

E na realidade rápida e conectada de hoje, a primeira conversa ganhou ainda mais importância. Ninguém mais tem tempo a perder. O despertar do interesse precisa estar entre o imediato ou o instantâneo. Para eles e elas, é aquela coisa. Vai vir com este papinho? Dá licença, tem alguém me querendo ali. A fila anda.

Uma vez ouvi que a primeira conversa é como se fosse uma entrevista de emprego. Intenções, planos de médio prazo, nível de dedicação, histórico. Fica tudo ali pra avaliação, sendo que os dois são contratados e contratantes. Há quem desperte interesse apenas para serviços esporádicos. Há quem pareça uma ótima opção para uma contratação efetiva.

Em caso de interesse despertado, bastam algumas horas ou dias compartilhados para uma espécie de período de experiência. Se a boa conversa vier acompanhada das atitudes propostas no primeiro ou segundo diálogo, quase sempre a contratação é inevitável. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário