terça-feira, 24 de junho de 2014

A Copa delas

É recalque. Não há outra definição pra reação masculina diante do comportamento das brasileiras com os gringos. É recalque machista e despropositado. E claro, tem também a inveja da condição feminina de conseguir sexo fácil e/ou pelo sentimento natural de “inferioridade” ao ser preterido diante de outro exemplar da espécie.  

E o que elas fazem com o recalque? Até o dia 13 de julho é beijinho no ombro e na boca de holandeses, alemães, argentinos, australianos, hondurenhos, uruguaios, camaroneses ou de qualquer um que apresentar passaporte. É Copa do Mundo, né. Cada jogo é final. Cada balada ou fan fest é decisão. E como o público masculino de turistas é amplamente superior, lógico que a Copa do Mundo fora dos estádios é delas. 

E sinceramente, tento entender qual o motivo de tanta revolta dos homens brasileiros. Como escreveu a repórter de Zero Hora FêCris Vasconcellos, “afinal, que absurdo uma mulher solteira, maior de idade, em perfeito estado de saúde e consciência e dona do seu próprio nariz se jogar para um cara solteiro, maior de idade, em perfeito estado de saúde e consciência e dono do seu próprio nariz, né?”.

Aos homens, um exercício de empatia. O que fariam eles caso desembarcassem no Brasil centenas de milhares de mulheres de múltiplas nacionalidades, ávidas por diversão e sexo casual? Tanto ou mais do que elas estão fazendo com eles. Ponto.

Em partes, a diversão delas acontece porque é do ser humano a busca pelo que é diferente, homens e mulheres, seja por atração ou fetiche. E o que acontece na Copa não é privilégio de brasileira. É um ritual sacramentado em todo grande evento onde há miscigenação de nacionalidades.

Lembro da história de um amigo jornalista que cobriu um encontro mundial de atletas trabalhadores na Estônia, um dos berços da beleza nórdica. Com seus vistosos olhos azuis e inglês fluente, passou praticamente despercebido e acabou por se tornar o principal interlocutor entre estonianas e os brasileiros...do Acre. Isto mesmo. As gurias de lá só queriam os acreanos. O aspecto indígena, nem negro e nem branco, tornou o time de futebol de uma construtora dos confins do Brasil o centro da cobiça feminina na costa do Mar Báltico.

Por isto, se tratando de Brasil, é até uma heresia ver expressões como “tudo puta”, “vagabundas”, “turismo sexual”, justamente num país que tem orgulho da sensualidade, da beleza e do appeal de sua gente. Acho sim que a mulherada tem que aproveitar, passar o rodo e usar toda esta pegação como um legado moral da Copa do Mundo.

Claro que às mulheres também vale um exercício de empatia. Entre um jogo e outro, quando conversa consigo mesmo, o homem brasileiro pensa: ah é? Eu tenho que conversar, agradar, ser sensível, dar atenção, coisa e tal. E pra estes aí, só porque são de fora, tá tudo liberado. Ou seja, não é pela pegação. É pela diferença de tratamento. É carnaval que os brasileiros não participam, é festa open bar que os brasileiros não têm pulseirinha.


Em tempos de igualdade, vamos combinar que tanto pra homem quanto pra mulher, beira o ridículo o recalque pela liberdade do gênero alheio. Se elas querem ser como os homens, pois que sejam, durante e depois da Copa. Que peguem e aproveitem. Mas sem reclamar que se sentiu descartável ou não teve telefonema no dia seguinte, agora e depois da Copa. Afinal, homens não reclamam, sejam eles brasileiros ou gringos.
 

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