sexta-feira, 11 de julho de 2014

Um romance metaforizado pela participação do Brasil na Copa

Brasil x Croácia foi como aquele primeiro flerte. A ansiedade discute com a autoconfiança. Tudo é expectativa. Será que vai rolar? Qual a melhor estratégia? Me imponho pra mostrar segurança ou espero a atitude alheia pra decidir o que fazer? Um golzinho contra até faz parte. É como aquele comentário inoportuno ou a piada infeliz. Coisa de nervosismo. Mas o que importa é o resultado. O primeiro beijo foi bom.  Vitória conquistada e telefones anotados.
  
Brasil x México foi como aquele período até o segundo encontro! Ligo ou não ligo? Falo ou não falo? O outro lado já mostrou que merece meu respeito. Vou ligar! Ou mando um watts? Que merda...vamos lá... atitude!  Não, melhor não! Sei lá, deixamos assim. Ficamos no empate.  Zero a zero e eu ligo amanhã, sem falta.

Brasil x Camarões foi aquele encontro em que tudo flui. A classificação praticamente garantida. Hoje não tem erro! Hoje rola! E rola mesmo! Tudo é festa!  O foco fica nas virtudes. A admiração eleva-se ao quadrado e os defeitos ficam camuflados. A gente vai se ver de novo. Certo que a gente vai se ver de novo. E vai ser bom como foi hoje.  Vai ser sempre assim. Já é paixão. Já é um namoro.  

Brasil x Chile foi como é aquela primeira crise. A presença da ausência. Sei lá, parece que entra em campo...mas não joga! Não tem criatividade nem me surpreende. Tem mais preocupação em não perder do que garantir a conquista definitiva. Ela chora sem motivo. Ele desconfia de tudo. Olha aquele casal ali. Olha como tá jogando aquele time lá. Viu só o esquema? Não possuem o que a gente tem, mas tão rendendo mais que nós.  A bola na trave no fim da prorrogação foi aquele celular desligado na sexta-feira de noite. Era o sinal definitivo de que o fim era ali, mas o acaso e a teimosia ofereceram uma sobrevida.

Brasil x Colômbia foi a viagem de ajuste. Vamos pra serra, vamos pra praia. O destino já mostrou que está a nosso favor. É a viagem de dois dias pra fazer dar certo. No primeiro dia, tudo excelente, tudo em paz, como os dois gols no time de James ainda na primeira etapa. Agora vai. Mas daí, antes de vir embora teve aquela discussão por um motivo estúpido. Ficou climão. Tensão no carro. Desnecessário e angustiante tipo um pênalti aos quarenta do segundo tempo, seguido de sufoco. Sei lá...a viagem foi legal, mas não empolgou. 

Brasil x Alemanha foi o fim. E com direito a quebração de pratos. O que tu ta pensando? Eu aqui pra ver um papelão destes? Eu mereço isto? Fala sério! É um vexame! Como eu vou sair na rua? Como vou sair na rua de mãos dadas contigo depois de tudo isto? Olha tudo que eu fiz por ti? Meu tempo, meus sonhos...tudo jogado no lixo! Bom, tava na cara, né! Como eu não vi isto antes? Eu sabia naquela bola na trave do Chile eu tinha que ter tomado uma atitude! Mas sou trouxa. Confiei! É da vida! Quem ama corre o risco de passar vergonha!

Brasil x Holanda será a tentativa de reconciliação. E daí vai depender do tamanho do amor, do arrependimento, da vergonha e da vontade de querer fazer dar certo.       

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